A petroquímica brasileira Braskem anunciou, nesta segunda-feira (24 de agosto de 2026), que seu Conselho de Administração aprovou a entrada com um pedido de recuperação extrajudicial no Brasil. A medida visa reestruturar uma dívida de aproximadamente US$ 10,9 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 56 bilhões. No momento atual, o pedido judicial ainda não foi formalmente protocolado na Justiça, pois a companhia trabalha na finalização e formalização dos documentos necessários para oficializar o processo.
Assim que o protocolo for apresentado oficialmente na Justiça, a petroquímica iniciará uma nova etapa de negociação direta com seus credores. A Braskem buscará um consenso em relação às condições para reorganizar suas obrigações financeiras, o que engloba novos prazos e modalidades de pagamento das dívidas. Em documentos divulgados ao mercado, a companhia explicou que vinha avaliando medidas de proteção contra possíveis ações judiciais de credores enquanto tentava avançar nas conversas para a reestruturação dos passivos.
Esse movimento de recuperação extrajudicial já era esperado pelos analistas de mercado. Na sexta-feira anterior, dia 21 de agosto de 2026, a Braskem havia admitido publicamente possuir débitos superiores a US$ 10 bilhões, equivalentes a R$ 54 bilhões na cotação da época, sob o escopo de reestruturação. As conversas com os detentores dos títulos de dívida haviam se intensificado nas semanas anteriores ao anúncio oficial, período no qual a diretoria avaliava diferentes alternativas financeiras para solucionar seu passivo.
A maior parte da dívida da Braskem é composta por títulos emitidos no exterior, que consistem em papéis vendidos diretamente a investidores internacionais. Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta a reestruturação de sua subsidiária mexicana, a Braskem Idesa, que recorreu à lei de falências dos Estados Unidos sob o mecanismo do Chapter 11. Esse modelo legal norte-americano permite a continuidade das operações da subsidiária sob supervisão judicial. Para manter o controle da Braskem Idesa, o plano desenhado prevê um aporte de US$ 476 milhões pela controladora brasileira.
Fundada no ano de 2002 a partir da integração de ativos da antiga Odebrecht, atual Novonor, e do Grupo Mariani, a Braskem é uma das maiores empresas petroquímicas do país. A companhia expandiu seus negócios para mercados como Estados Unidos, Alemanha e México, tendo a Petrobras como uma de suas acionistas principais. Recentemente, o controle que pertencia à Novonor foi adquirido pela IG4 Capital. A empresa atua na produção de resinas plásticas como polietileno, polipropileno e PVC, além de insumos como eteno e propeno utilizados por outras indústrias.
A petroquímica enfrenta atualmente um período prolongado de dificuldades financeiras e operacionais no setor, estimando-se que serão necessários anos para superar os desafios herdados de gestões passadas. Além do impacto gerado pelos baixos preços globais de produtos petroquímicos, o caixa da companhia foi pressionado pelas despesas relacionadas ao desastre ambiental provocado pela exploração de minas de sal-gema em Alagoas. O evento acarretou o afundamento do solo em bairros de Maceió e exigiu a remoção de milhares de moradores da região afetada.

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