O Botafogo tenta reverter uma situação difícil nesta quinta-feira no Estádio Nilton Santos, onde enfrenta o Cienciano, do Peru, no jogo de volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Após perder o primeiro duelo por 6 a 1, em solo peruano, o time carioca entra em campo com a necessidade de aplicar uma goleada para seguir vivo no torneio. Para conseguir a classificação direta às quartas de final, a equipe alvinegra precisa vencer por uma diferença de seis ou mais gols, enquanto uma vitória por exatamente cinco gols de diferença levará a disputa da vaga para as cobranças de pênaltis.
A tarefa de reverter uma desvantagem tão elástica em torneios organizados pela Conmebol é inédita. De acordo com os registros históricos da entidade, nenhum clube conseguiu avançar de fase em uma partida de volta após ser derrotado por cinco ou mais gols de diferença na ida. As maiores reviravoltas já registradas na competição envolvem placares menores. Em 2003, o Libertad, do Paraguai, devolveu uma derrota de 3 a 0 sofrida para o Nacional, vencendo o segundo jogo pelo mesmo placar e conquistando a vaga nos pênaltis. Já em 2017, o Huracán, da Argentina, conseguiu superar uma derrota de 3 a 0 para o Deportivo Anzoatégui na ida ao golear por 4 a 0 no confronto de volta.
No retrospecto de grandes placares da Sul-Americana, o atacante Matheus Martins, atualmente no elenco do Botafogo, participou de uma goleada histórica em 2022. Na ocasião, jogando pelo Fluminense, o atleta anotou três gols na goleada por 10 a 1 sobre o Petrolero, da Bolívia, fora de casa. Apesar da vitória expressiva, a equipe carioca acabou eliminada da competição por causa de outros resultados do grupo, já que na época apenas o líder da chave avançava para a fase de mata-mata.
A história da competição também registra outros resultados elásticos em fases eliminatórias e de grupos. Em 2010, o Defensor Sporting, do Uruguai, estabeleceu o que foi a maior goleada do torneio até 2022 ao vencer o Sport Huancayo, do Peru, por 9 a 0 no primeiro jogo da segunda fase. Embora tenham perdido a partida de volta por 2 a 0, os uruguaios garantiram a classificação, sendo eliminados apenas na fase seguinte. Outro brasileiro que se destacou pelos gols marcados foi o Grêmio, que em 2021 aplicou 8 a 0 no Aragua, da Venezuela, na fase de grupos, além de vencer o adversário fora de casa por 6 a 2. O time gaúcho terminou aquela fase invicto, mas caiu nas oitavas de final diante da LDU.
A altitude também foi fator determinante em outras goleadas históricas registradas na competição continental. Em 2009, o River Plate, do Uruguai, sofreu com a altitude de Quito e acabou derrotado por 7 a 0 pela LDU em partida válida pela semifinal. O resultado elástico garantiu a equipe equatoriana na decisão, disputada no Maracanã, onde os equatorianos conquistaram o título contra o Fluminense. Mais recentemente, no ano passado, o Independiente, da Argentina, goleou o Nacional Potosí por 7 a 0 na fase de grupos, o que ajudou os argentinos a assegurarem o melhor ataque daquela edição, embora tenham sido eliminados nas oitavas de final após um tumulto envolvendo torcedores da Universidad de Chile.

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